A ÚLTIMA MISSÃO

“A ÚLTIMA MISSÃO”, um livro de José de Moura Calheiros, com edição Caminhos Romanos.

A ÚLTIMA MISSÃO
A ÚLTIMA MISSÃO

 

A ÚLTIMA MISSÃO

Texto de: Operacional – Defesa, forças armadas e de segurança, Por Miguel Machado,  24 Nov , 2010

Em 1973 o autor, José Moura Calheiros, prestava serviço no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 21, de Bissalanca (Guiné).
Em 23 de Maio desse ano, numa operação por si comandada e tendo como missão atingir e reforçar a guarnição de Guidage, cercada pelo PAIGC, a Companhia de Caçadores Pára-quedistas 121 sofreu quatro mortos, dos quais três tiveram que ser inumados num cemitério localizado na cerca do aquartelamento daquela localidade.

O livro é profusamente ilustrado, sendo muitas da fotografias da autoria de Alfredo Serrano Rosa
O livro é profusamente ilustrado, sendo muitas da fotografias da autoria de Alfredo Serrano Rosa

Trinta e cinco anos depois, em Março de 2008, o autor regressa à Guiné integrado numa Missão da Liga dos Combatentes destinada a exumar, em Guidage, os cadáveres daqueles três militares pára-quedistas e de outros sete do Exército.
No livro o autor conta-nos toda a problemática relacionada com a expedição: os antecedentes, a preparação e o seu desenrolar, Simultâneamente descreve o ambiente da Guiné de hoje comparando-o com o do tempo da guerra; os usos, costumes e religiões da região de Farim e Guidage; o sentimento da população em relação ao antigo colonizador; as mágoas dos guineenses antigos militares portugueses por Portugal os ter enganado e abandonado; conversas com velhos guerrilheiros.
Ao longo da missão ocorrem situações que lhe fazem recordar o passado, o tempo da guerra. Nestes momentos de rebuscar das memórias “assistimos” à evolução da guerra, bem como à do pensamento do autor sobre ela. Pela ordem temporal das sucessivas comissões, ele descreve e caracteriza os três Teatros de Operações:
Angola, primeiro, para onde vai cheio de entusiasmo, certo de que a guerra seria ganha depressa..
A primeira comissão, em Angola, iniciada na “certeza” de que a guerra seria ganha rapidamente. O entusiasmo à partida, cheia de ideais e de utopias para cumprir. Os ardis utilizados para que a família não estivesse preocupada O primeiro contacto, muito desagradável, com o clima, compensado pela beleza e grandiosidade das paisagens de África. O espanto pela coragem de muitos colonos, que encontrava completamente isolados do resto do mundo. A ambientação ao capim e à mata. O encontro com a guerra, ainda mais horrível do que imaginara. O baptismo de fogo. O choque sentido com as condições de vida das populações refugiadas nas matas A progressiva perda das ilusões e do entusiasmo com que partira da Metrópole.
A segunda comissão, em Moçambique. O título deste capítulo é sugestivo: “Moçambique, o sacrifício maior”. As grandes distâncias. As operações muito prolongadas. A enorme falta de meios de apoio. A sede, uma verdadeira tortura, o maior flagelo. As minas, outro flagelo. O drama, senão mesmo tragédia, que foram os Postos Avançados de Combate instalados a Sul do Rio Messalo, como se de uma guerra clássica se tratasse. A operação Zeta, que foi um dos maiores sucessos da guerra e que esteve a um passo de ser a sua maior tragédia.
A terceira comissão, na Guiné. Diferenças enormes em apoios de combate em relação a Angola e Moçambique. A aparente abundância de meios, para quem vinha de Moçambique. Quanto à forma de actuar, era quase como profissionalismo versus amadorismo, devido a essa diferença de meios disponíveis. As primeiras impressões, muito favoráveis, do ambiente social e militar na Guiné. A degradação progressiva da situação militar a partir da morte de Amílcar Cabral. Procurando impedir a entrada ou prejudicar a visita de uma Delegação que a ONU enviou à Guiné. As conversações de Cap Skirring e a forma como estava montada a operação de protecção ao Comandante-Chefe e sua comitiva. A reocupação do Sul – Operação Grande Empresa – uma grande, delicada e muito bem sucedida operação. O aparecimento dos mísseis terra-ar, a procura de aviões abatidos e de restos de mísseis para identificar o míssil utilizado pelo PAIGC. Descrição dos acontecimentos mais críticos de toda a nossa guerra do Ultramar, a grande e prolongada crise nas fronteiras, em Maio e Junho de 1973. A Norte, o cerco de Guidage, com depoimentos de guerrilheiros que nele tomaram parte. A Sul, o terrível assédio a Gadamael, um verdadeiro inferno ocorrido após a retirada de Guileje.
Neste rebuscar da memória, vai-se também apreciando a evolução do sentimento da Nação bem como a do autor em relação à guerra, à medida que esta se prolonga.

A ÚLTIMA MISSÃO

Por Miguel Machado • 24 Nov , 2010 • Categoria: 02. OPINIÃO Print Print

Em 1973 o autor, José Moura Calheiros, prestava serviço no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 21, de Bissalanca (Guiné).
Em 23 de Maio desse ano, numa operação por si comandada e tendo como missão atingir e reforçar a guarnição de Guidage, cercada pelo PAIGC, a Companhia de Caçadores Pára-quedistas 121 sofreu quatro mortos, dos quais três tiveram que ser inumados num cemitério localizado na cerca do aquartelamento daquela localidade.

O livro é profusamente ilustrado, sendo muitas da fotografias da autoria de Alfredo Serrano Rosa

O livro é profusamente ilustrado, sendo muitas da fotografias da autoria de Alfredo Serrano Rosa

Trinta e cinco anos depois, em Março de 2008, o autor regressa à Guiné integrado numa Missão da Liga dos Combatentes destinada a exumar, em Guidage, os cadáveres daqueles três militares pára-quedistas e de outros sete do Exército.
No livro o autor conta-nos toda a problemática relacionada com a expedição: os antecedentes, a preparação e o seu desenrolar, Simultâneamente descreve o ambiente da Guiné de hoje comparando-o com o do tempo da guerra; os usos, costumes e religiões da região de Farim e Guidage; o sentimento da população em relação ao antigo colonizador; as mágoas dos guineenses antigos militares portugueses por Portugal os ter enganado e abandonado; conversas com velhos guerrilheiros.
Ao longo da missão ocorrem situações que lhe fazem recordar o passado, o tempo da guerra. Nestes momentos de rebuscar das memórias “assistimos” à evolução da guerra, bem como à do pensamento do autor sobre ela. Pela ordem temporal das sucessivas comissões, ele descreve e caracteriza os três Teatros de Operações:
Angola, primeiro, para onde vai cheio de entusiasmo, certo de que a guerra seria ganha depressa..
A primeira comissão, em Angola, iniciada na “certeza” de que a guerra seria ganha rapidamente. O entusiasmo à partida, cheia de ideais e de utopias para cumprir. Os ardis utilizados para que a família não estivesse preocupada O primeiro contacto, muito desagradável, com o clima, compensado pela beleza e grandiosidade das paisagens de África. O espanto pela coragem de muitos colonos, que encontrava completamente isolados do resto do mundo. A ambientação ao capim e à mata. O encontro com a guerra, ainda mais horrível do que imaginara. O baptismo de fogo. O choque sentido com as condições de vida das populações refugiadas nas matas A progressiva perda das ilusões e do entusiasmo com que partira da Metrópole.
A segunda comissão, em Moçambique. O título deste capítulo é sugestivo: “Moçambique, o sacrifício maior”. As grandes distâncias. As operações muito prolongadas. A enorme falta de meios de apoio. A sede, uma verdadeira tortura, o maior flagelo. As minas, outro flagelo. O drama, senão mesmo tragédia, que foram os Postos Avançados de Combate instalados a Sul do Rio Messalo, como se de uma guerra clássica se tratasse. A operação Zeta, que foi um dos maiores sucessos da guerra e que esteve a um passo de ser a sua maior tragédia.
A terceira comissão, na Guiné. Diferenças enormes em apoios de combate em relação a Angola e Moçambique. A aparente abundância de meios, para quem vinha de Moçambique. Quanto à forma de actuar, era quase como profissionalismo versus amadorismo, devido a essa diferença de meios disponíveis. As primeiras impressões, muito favoráveis, do ambiente social e militar na Guiné. A degradação progressiva da situação militar a partir da morte de Amílcar Cabral. Procurando impedir a entrada ou prejudicar a visita de uma Delegação que a ONU enviou à Guiné. As conversações de Cap Skirring e a forma como estava montada a operação de protecção ao Comandante-Chefe e sua comitiva. A reocupação do Sul – Operação Grande Empresa – uma grande, delicada e muito bem sucedida operação. O aparecimento dos mísseis terra-ar, a procura de aviões abatidos e de restos de mísseis para identificar o míssil utilizado pelo PAIGC. Descrição dos acontecimentos mais críticos de toda a nossa guerra do Ultramar, a grande e prolongada crise nas fronteiras, em Maio e Junho de 1973. A Norte, o cerco de Guidage, com depoimentos de guerrilheiros que nele tomaram parte. A Sul, o terrível assédio a Gadamael, um verdadeiro inferno ocorrido após a retirada de Guileje.
Neste rebuscar da memória, vai-se também apreciando a evolução do sentimento da Nação bem como a do autor em relação à guerra, à medida que esta se prolonga.

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Toda esta história real é contada a par da actividade da Companhia de Caçadores Pára-quedistas 121, com especial ênfase para o seu 3º Pelotão, aquele a que pertenciam os três militares mortos para atingir Guidage e aí inumados.
Após uma descrição do que foi a juventude de cada um daqueles três rapazes, que são uma amostra bem representativa do que era a vida da juventude portuguesa naqueles tempos, é dada uma panorâmica do que com eles se passou durante a instrução em Tancos. Depois, segue-se o embarque para Bissau e, finalmente, entram na voragem da guerra que os viria a destruir.
Todos os factos relatados aconteceram e foram reais.
São descritas as operações em que tomaram parte desde que chegaram à Guiné até que caíram em combate. E também o seu funeral, que ocorreu em circunstâncias dramáticas!
Através destas descrições o leitor pode identificar-se com a forma como actuavam os pára-quedistas, bem como conhecer os sentimentos de que eles eram possuídos antes, durante e depois dos combates. E também como actuavam e eram coordenados os seus apoios de combate: os Fiat´s, o PCA, os helicópteros de manobra ou sanitários, os heli-canhões, as lanchas de desembarque, a artilharia, todos eles indispensáveis ao seu sucesso e segurança.
Para além dos sentimentos dos militares durante as operações, o livro descreve-nos também os dos seus Comandantes em algumas das situações mais críticas, responsáveis como são pelo cumprimento das missões, mas também pela vida dos seus subordinados. Este livro é, em grande parte, sobre os sentimentos dos combatentes na guerra do Ultramar, de cada um individualmente e também colectivamente; dos soldados e também dos comandantes nas suas angústias, dúvidas e responsabilidades, enquanto chefes e homens.
O leitor ficará uma noção muito aproximada de como era a vida dos militares de uma Unidade de Intervenção de excelência – o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 12. E também da idiossincrasia dos pára-quedistas portugueses, dos seus valores, ideais e princípios.

Esta obra ai ser apresentada publicamente por António-Pedro Vasconcelos, em 29 de Novembro de 2010 na Academia Militar na Amadora. É uma edição da “Caminhos Romanos” que pode ser contactada pelo e-mail: ac.azeredo@hotmail.com

A seu tempo apresentaremos na secção “Já Lemos” a habitual apreciação do “Operacional” e as informações pertinentes relativas a este livro.

 

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